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Os líderes e as megatendências do séc. XXI

lideres megatendencias

Muita coisa aconteceu desde essa altura. No entanto, é interessante verificar que estas megatendências marcaram os cinco anos seguintes e que se mantêm válidas para pelo menos mais dez. Neste contexto, há publicações de tendências para todos os gostos. Muitas são provadas erradas num curto espaço de tempo devido à volatilidade do ambiente económico, social e político.

Por este motivo, é relevante relembrar quais são:

  1. Mais tecnologia e mais cibercidadania. A tecnologia vai continuar a ser a força dominante na transformação da sociedade e vai impactar as nossas vidas mais do que se espera. A cibercidadania será o conceito dominante na primeira metade do séc. XXI. Isto é, a democratização e massificação da conectividade e do acesso digital e a consequente e inevitável construção de novas formas de organização socioeconómica empresarial e de governação.
  2. Os mercados transformam-se pela globalização, mas também pela geração produtora de conteúdos. Cada indivíduo é agora um potencial produtor de conteúdos, o que altera a forma como os negócios devem ser pensados e conduzidos.
  3. A democracia liberal surge como tendência dominante mas incompleta. Inevitavelmente surgirão novos paradigmas de exercer o poder, mais adaptados aos desafios do séc. XXI, que conciliem as novas formas de poder, a “governação global” e a “vida em comunidades”. As estruturas de poder e controlo tradicionais – supranacionais e nacionais – irão partilhar poder com redes horizontais de comunidades sociais e económicas. A maior capacidade de aceder a e manipular informação aumenta a necessidade de proteger a privacidade dos dados pessoais.
  4. A demografia, as migrações e o setor público tendem a (des)equilibrar o sistema. A baixa taxa de natalidade e o aumento da longevidade nos países ocidentais coloca desafios tremendos aos sistemas sociais e de saúde e aos sistemas produtivos, para além de estimular a emergência de novos segmentos de mercado. Em contraste, a elevada taxa de natalidade nos países menos desenvolvidos coloca desafios socioeconómicos explosivos, especialmente quando a riqueza dos países ocidentais passa diariamente nas televisões dos países com ainda elevados índices e bolsas de pobreza.
  5. A sustentabilidade ambiental e energética pode criar ruturas. O consumo de petróleo e de gás natural vai continuar a aumentar e a criar pressões económicas e políticas, não só entre o Ocidente e os países produtores, mas também entre a União Europeia e a Rússia. A energia nuclear, com os seus riscos ambientais e bélicos, continuará a desafiar a estabilidade e a criatividade dos decisores políticos. 

Com reagir a estas tendências?

As mudanças associadas a estas tendências podem dar lugar a sentimentos de perda, de crise, de desencanto e de negação. Terão maior probabilidade de êxito os líderes que melhor antevirem e se adaptarem aos referenciais dominantes do futuro, de forma positiva e com novas perspetivas e soluções. Grandes oportunidades surgirão em redor dos criadores e empreendedores das novas soluções.

Terão maior sucesso as lideranças que mobilizem as instituições, as empresas, os cidadãos e as novas comunidades, em prol de uma visão confiante dentro destas tendências emergentes.

Nota: Artigo originalmente publicado no Portal da Liderança.

Gestão da mudança: 3 regras para líderes

gestao da mudanca

Carlos Oliveira*

Quando pergunto aos meus clientes, nos vários mercados onde operamos, o que é gerir a mudança nas suas organizações, cada um dos elementos do conselho de administração ou do nível de direção ou dos operacionais das diversas áreas de atividade tende a ter uma opinião diversa da dos colegas. O mesmo acontece na minha empresa. “Gerir a mudança” é uma questão que gera um caos de interpretações e torna difícil de liderar um processo de transformação que aumente a performance da organização.

Por este motivo partilho três regras, para não ser muito exaustivo, resultantes dos processos de maior sucesso, que podem ser utilizadas pelos líderes para gerir a mudança.

Regra n.º 1: Adotar um modelo de referência, mas adaptá-lo

Uma boa forma de colocar ordem no caos da gestão da mudança é adotar um modelo. Um dos mais conhecidos, práticos, fiáveis e recomendáveis para desenhar e gerir um processo de mudança numa organização é o Modelo de 8 Passos de John Kotter. Apresentado em 1996 no livro “Leading Change”, o modelo é ainda hoje o mais utilizado por consultores e por organizações em todo o mundo (a LBC, por exemplo, desenvolveu uma variante).

Mas uma coisa que a experiência de muitos anos de consultoria me mostrou é que “one size does not fit all”. Processos baseados em fórmulas mágicas tendem a falhar. O modelo de Kotter deve ser apenas um referencial, que deve ser adaptado a cada caso. Outros modelos podem ser mais adequados, como o menos conhecido mas mais focado modelo VISAR, de Gary Topchick.

Regra n.º 2: Foco e simplificação

A maior parte dos insucessos nos processos de mudança acontece porque não existe um foco partilhado definido logo no início. Enunciados genéricos e filosóficos, por muito aliciantes que sejam, geram o caos, pois cada pessoa presume coisas diferentes. O mais importante de um processo de mudança é definir logo de início, sem ambiguidades:

  1. O que se quer mudar (serviços, operações, pessoas, etc.).
  2. Para atingir o quê (quais os KPI – Key Performance Indicators concretos: reduzir ciclo de serviço ao cliente, melhorar a experiência do cliente, melhorar a competitividade da empresa, etc.);
  3. Como se mede essa mudança (um plano de atividades e respetivos indicadores, a partir do primeiro dia e em marcos específicos).

Mudar tudo de uma só vez é um dos erros de muitos programas. Mudanças pequenas focadas na performance são diferentes de mudanças focadas na cultura. Mudanças focadas num processo concreto são diferentes de mudanças focadas nas competências core da empresa. Mudar a organização é diferente de mudar as pessoas.

Regra n.º 3: Atuar em 4 eixos que se reforçam

A maior parte dos programas de gestão da mudança que falham está baseada apenas no eixo top-down, i.e., na visão dos líderes da empresa. Um processo de mudança só funciona se envolver quatro eixos: top-down (estratégia e regras definidas no topo), bottom-up (criatividade e soluções concretas vindas das bases), processos transversais (para mudar efetivamente a máquina) e cultura (a verdadeira transformação).

A gestão da mudança está a mudar

A visão da liderança tem mudado ao longo do tempo. Nos anos 1940 e 1950, o líder-herói. A seguir, o líder-racional. Nos anos 70 e 80, o líder-gestor da mudança. Nos anos 90 e ‘00, o líder-autêntico e relacional. Nesta década, avançamos para o líder-cidadão global, cuja atenção vai para além da empresa.

Neste contexto, a gestão de mudança também muda e deve envolver relacionamentos múltiplos para fora da empresa, incluindo a alteração da relação com os clientes, os fornecedores, a comunidade, as redes sociais, os reguladores, etc. A inovação aberta é um dos exemplos da importância dos relacionamentos externos da empresa e da capacidade de atuar fora da bolha corporativa. Os modelos dos negócios digitais (como o da Apple) são outro exemplo de como é a relação com o que está fora da empresa, que define a vantagem competitiva. A gestão da mudança entra aqui num campo ainda mais complexo.

Nota: Artigo originalmente publicado no Portal da Liderança.

*Carlos Miguel Valleré Oliveira é CEO da LBC, empresa internacional de consultoria de gestão presente em oito países: África do Sul, Angola, Brasil, Cabo Verde, EUA, Espanha, Moçambique e Portugal. O também presidente do Conselho Fiscal da CCILSA – Câmara de Comércio e Indústria Luso Sul-Africana assina a rubrica “Ponto de Vista” no Portal da Liderança sobre temas como a liderança-gestão, economia-sociedade e inovação-empreendedorismo. 

O bloco económico mundial lusófono: como potenciar

bloco ecnomico mundial

Carlos Oliveira*

Este aproveitamento poderá ser feito através da ponderação estratégica de uma visão das dinâmicas globais que poderão ser dominantes nos próximos 50 anos, da cooperação madura e interessada entre os países que falam português e da consequente ação articulada, determinada e pragmática.

O bloco económico lusófono

O conjunto de acontecimentos aludidos em cima são sobretudo: a entrada de Portugal na União Europeia nos anos 1980 (então CEE) e a especialização económica em curso; a estabilidade enquanto nação e o início de uma era de crescimento económico de Angola, Cabo Verde e Moçambique no final da primeira década deste século; a independência de Timor-Leste no início do século, permitindo o desenvolvimento e alguma relevância económica; o processo exemplar de integração de Macau na China. Dentro de alguns anos, esperemos que não muitos, países de menor potencial, como São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau, poderão compor marginalmente este lote. Acresce uma diáspora crescente de falantes em português em cargos de gestão de grandes empresas internacionais e em organismos multilaterais.

O português é a 5.ª língua mais falada do globo e a mais falada do hemisfério sul – o hemisfério do crescimento económico, demográfico e político (excluindo a China e a Índia). Há países que falam português em quase todos os blocos económicos e continentes. O português é a terceira língua mais falada no Facebook.

Mundo em mudança abre oportunidades

Nos últimos 200 anos temos assistido ao ascender do bloco anglo-saxónico, devido a um vasto conjunto de acontecimentos históricos. No entanto, nos últimos 25 anos o mundo tornou-se mais multipolar, abrindo espaço para a afirmação de outras culturas e de outros blocos económicos. Por exemplo, apesar de o inglês se ter tornado numa espécie de língua franca mundial, a evolução da China e das economias emergentes está a reequilibrar o forte peso cultural anglo-saxónico. Se, por um lado, a língua inglesa serviu para homogeneizar linguisticamente o mundo, por outro lado a própria língua inglesa serve de alavanca para a maior transferência e afirmação de outras culturas e dos seus valores. A evolução económica e o peso mundial dos países muçulmanos suportados pelo petróleo é ainda uma incógnita.

Também nos últimos 25 anos a forte evolução das tecnologias de informação e comunicação e a emergência da internet têm alterado as regras económicas através do fenómeno da globalização, tendo criado muito maior fluidez e incerteza na economia, tornando a competitividade económica mais aberta, menos protegida e mais democrática.

A crise económico-financeira em Portugal vai servir para reforçar o potencial de um bloco económico lusófono, ao tornar os portugueses mais interessados, pela necessidade, nos outros países lusófonos, ao abrir ainda mais a sua economia ao mundo e ao alargar a sua diáspora, etc.

Como potenciar o bloco económico lusófono?

Há que refletir e ponderar bem sobre o interesse de cada país, e de todos na globalidade, no reforço de uma estratégia de bloco económico, e sobre quais os caminhos a partilhar. Apresentam-se a seguir algumas ideias iniciais e que precisam de ser estudadas e complementadas por uma reflexão mais profunda pelos agentes económicos e políticos com poder de realizar e implementar.

Como resultado de uma reflexão curta e imediatista, para um simples artigo, apontamos algumas ideias que nos parecem importantes para se projetar um bloco económico lusófono com interesse para cada um dos países que o constituem. 

  • Visão futurista. A reflexão não deve olhar para o presente, mas sim para dinâmicas e tendências que irão moldar o mundo nos próximos 50 anos. Envolve pensamento largo, de cenarização, de tendências, e de criação de novas dinâmicas dentro (e fora) do campo de intervenção das possibilidades visíveis.
  • Visão centrífuga. Não interessa a este bloco económico fechar-se sobre si mesmo. Pelo contrário, interessa saber como o todo, um bloco lusófono, pode alavancar cada país a ter maior sucesso num mundo integrado economicamente e global. Não interessa ao Brasil reduzir as suas prioridades ao mundo lusófono. Nem interessa a Portugal. Nem interessa a Angola, a Cabo Verde ou a Moçambique restringir as suas prioridades aos inputs do Brasil e de Portugal. Interessa a todos a economia global, mas usando a alavanca lusófona para ir mais longe individualmente.
  • Qualificação do capital humano. Nos próximos 50 anos a qualidade do capital humano de cada país e de cada bloco cultural e linguístico vai ser determinante para a sua competitividade e desenvolvimento económico-social. Para além do ensino tradicional, o potencial da internet como plataforma de conhecimento e de ensino massificado e especializado vai mudar os paradigmas da aprendizagem e do acesso ao conhecimento nos próximos 20 anos. Vai ser uma grande revolução mundial. Num mundo cada vez mais integrado, vai ser uma corrida competitiva enorme entre todos. Portugal pode apoiar especialmente Angola, Cabo Verde, Moçambique e Timor a darem um salto quântico e muito acelerado no desenvolvimento do seu capital humano, no ensino tradicional e nos novos modelos de acesso pela internet, ganhando todos economicamente com isso. O Brasil, pela sua vastidão, tem de fazer essencialmente uma corrida interna, que beneficiará todo o bloco, mas, pela grande dimensão da sua população, será determinante para cocriar, coparticipar e viabilizar modelos de conhecimento baseados na internet para todo o mundo lusófono.
  • Tecnologias e TIC. As tecnologias de informação e comunicação (TIC) introduziram uma lógica de economia exponencial no mundo digital que terá um peso crescente na economia mundial. Conseguir efeitos de rede (mundial) terá um impacto determinante no futuro de muitos negócios. Ou o mundo lusófono consegue criar efeitos de rede sustentáveis no mundo digital ou toda esta economia será capturada pelas economias anglo-saxónicas e outras, excluindo todos e cada um dos países lusófonos do fillet mignon da economia digital. Mas, para além das TIC, as novas tecnologias em geral, nomeadamente nas energias limpas e renováveis, na biotecnologia e na medicina, bem como em setores de crescente relevância como o aeronáutico e aeroespacial, terão um peso mais elevado na economia global do futuro.
  • Ciência e língua. A ciência que suporta estes desenvolvimentos tecnológicos e a aplicação prática de inovações na economia produtiva deverão ter um peso maior nos orçamentos e no desempenho dos países lusófonos. É aqui que um trabalho transversal entre todos os países pode ser da maior mais-valia no presente e nos próximos 50 anos. A harmonização linguística que permite a interação com o menor atrito possível é uma evidência de La Palice.
  • Trocas comerciais e livre circulação. O bloco lusófono e cada um dos seus países individualmente conseguem ganhar maior fulgor económico se tiverem maior liberdade e menos atrito nas trocas comerciais e na livre circulação de bens, serviços e pessoas, entre si. Acordos preferenciais são necessários nesta área. Bem como a sua boa implementação.
  • Novo modelo cultural e político.Este bloco tem de olhar para os próximos 50 anos com uma mente aberta, criativa e livre de constrangimentos. O etnocentrismo cultural europeu, de que Portugal ainda padece (sem saber até), a crescente autossuficiência brasileira em termos lusófonos, algum revanchismo anticolonial dos novos países africanos, são todos elementos para serem controlados cuidadosamente por forma a permitirem uma visão criativa do futuro a 50 anos. Mas, mais do que homogeneizar perspetivas, deve-se valorizar e potenciar a diferença criativa.
  • Organismos internacionais e a CPLP. A consciência de um bloco económico lusófono deve dar lugar a uma atuação conjunta em organismos internacionais, em termos de realpolitik económica, de mútuo apoio para exercício de cargos de liderança em todo o tipo de organismos mundiais e multilaterais (nomeadamente, apoio ao Brasil para membro permanente do Conselho de Segurança). Qual o papel do atual organismo da CPLP no desenvolvimento deste bloco económico é algo que não é analisado neste artigo.

Os próximos passos

Como podemos avançar? Pensamos que os agentes económicos e os políticos terão a visão para tornar esta uma realidade, na sua atuação no dia a dia. No entanto, para acelerar o processo e o potenciar ao máximo seria relevante considerar os seguintes passos:

  1. Criar um think tank/ grupo de trabalho, promovido por Governos e grupos empresariais, com células de trabalho nacionais e transversais.
  2. Este think tank deverá:
    1. Ser constituído por uma equipa multidisciplinar conjugando os saberes e a criatividade de economistas, políticos, cientistas, empresários, académicos e sociólogos.
    2. Estar focado em novos paradigmas, procurando ideias “fora da caixa”, mas pragmáticas.
    3. Ser aberto ao mundo: estudar e visitar a China, os EUA, a Europa, o novo nacionalismo pan-africano, o fenómeno sul-americano.
    4. Ter um calendário de trabalho e KPI (key performance indicators/indicadores-chave de desempenho) para atingir.
    5. Gerir-se por um código de conduta – no início todas as ideias são válidas, no final deve apresentar-se cenários e caminhos concretos. Divergências e dissidências ficam dentro de casa.
    6. Ter um orçamento que dê condições de trabalho e autonomia (é um risco, mas vale a pena).
    7. Receber apoio político e empresarial ao mais alto nível.

GSI – Uma pequena semente

O Global Strategic Innovation (GSI), é um programa de imersão em Silicon Valley, nos EUA, durante uma semana que envolve executivos de vários países lusófonos e que tem acontecido nos últimos anos com imenso sucesso. O GSI ajuda a compreender o ambiente criativo de Silicon Valley, a inovação estratégica, os modelos de negócios do futuro, o empreendedorismo inovador, visitando empresas e centros de conhecimento. Este programa é uma gota insignificante, mas não deixa de ser uma montra da abertura de espírito e da nova colaboração criativa, virada para fora, capazes de construir um bloco lusófono de interesse para todos. Três princípios orientam o GSI – IEP: ver o mundo por “novos olhos”, sonhar mudar o mundo, começar a mudança por nós próprios e as nossas organizações.

Nota: Artigo originalmente publicado no Portal da Liderança.

*Carlos Miguel Valleré Oliveira é CEO da LBC, empresa internacional de consultoria de gestão presente em oito países: África do Sul, Angola, Brasil, Cabo Verde, EUA, Espanha, Moçambique e Portugal. Assina, também, a rubrica “Ponto de Vista” no Portal da Liderança sobre temas como a liderança-gestão, economia-sociedade e inovação-empreendedorismo.


Liderança, uma questão de carácter e vontade – Álvarez de Mon

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Liderar e aprender

Para o professor Álvarez de Mon, a liderança é um processo dinâmico que influencia as condutas, os pensamentos e os sentimentos, libertando um caudal de energia e talento humano em prol de um objetivo comum. Neste contexto, liderar e aprender são verbos quase sinónimos. Daí a importância do coaching, do diálogo socrático através do qual se ajuda uma pessoa a descobrir e a utilizar o seu valor interior. Da sua intervenção-diálogo com a audiência presente no evento, salientam-se quatro mensagens chave, que se sumarizam a seguir.

1. Novos líderes para novos tempos
Para este professor universitário no Departamento de Recursos Humanos e organização do IESE em Madrid, doutorado em Sociologia e Ciências Políticas pela Universidade de Salamanca, precisamos de líderes adaptados à nova realidade empresarial, cada vez mais turbulenta e global. Estes são os tempos propícios à descoberta de novos líderes. Líderes capazes de gerir na incerteza, com mentalidade mais global e mais informados. Líderes que:

  • Não procuram certezas, mas sim a sabedoria para gerir na incerteza;
  • Apostam numa aprendizagem permanente, sua e da sua equipa, para manterem a adaptabilidade e a agilidade num mundo em mudança;
    fazem a gestão lúcida dos erros que levam à aprendizagem, mais do procurar a perfeição que não erra, não aprende e não evolui;
  • Apostam na criatividade, que não surge de um brainstorming, mas sim de um debate mais profundo que estimule e liberte o talento das equipas;
  • Fazem perguntas livres, desafiantes e que escutem as respostas;
  • São ambiciosos e otimistas por natureza;
  • Livram o talento da ortodoxia e da burocracia das estruturas herdadas.

2. O carácter é um elemento fundamental da liderança
A conjugação da sua vasta experiência profissional como consultor de grandes empresas e coach de gestores de topo com a pesquisa académica, incluindo uma análise pelos clássicos, leva o Professor Álvarez de Mon, a concluir que a liderança se alicerça no caracter. os grandes pilares que sustentam a criação e a renovação permanentes são o talento e o carácter.

O talento humano, se não é orientado por um carácter reto, livre, entusiasta e responsável, desperdiça-se. o carácter suporta a vontade e a disciplina diária que dão significado e produtividade criativa ao talento. Este carácter, tão importante para qualquer pessoa, mas mais ainda para um líder, constrói-se sobre a história passada, íntima e genuína de cada pessoa e sobre a forma como essa pessoa encontrou, resolveu e superou as adversidades.

Adicionalmente, a ideia de liderança não pode nem deve ser despojada da sua dimensão moral. A bondade dos objetivos que motivam um líder, os valores que lhe estão associados – liberdade, solidariedade, justiça, tolerância – bem como os meios que emprega para os atingir, conferem-lhe ou retiram-lhe legitimidade para liderar.

O professor Álvarez de Mon refere o exemplo paradigmático de Nelson Mandela, Prémio Nobel da Paz e primeiro presidente da África do Sul pós-apartheid. Apesar de ter estado numa prisão desenhada para destruir o espírito e a vontade, com contínuas agressões à sua dignidade, nunca renegou às suas convicções, perdeu o autorrespeito ou deixou de acreditar num futuro melhor. Apesar de ter todas as razões para amargurar e odiar, na data da sua libertação, mostrou uma tolerância extrema para com os seus carcereiros. A forma serena como ultrapassou uma experiência extremamente adversa, como manteve a sua humanidade, fortaleceu ainda mais o seu carácter e deu-lhe uma legitimidade acrescida para liderar o país no pós-apartheid.

O carácter, que fornece a força e a determinação necessárias à Acão, são virtudes estratégicas e centrais para os gestores de topo no âmbito de uma sociedade cada vez mais turbulenta em termos de valores, de contextos em mudança, de conflitos, de inovação e incerteza.

“O homem pequeno só se recorda do mal que lhe foi feito. O homem grande recorda-se do bem, e por esse pouco bem que recebe esquece-se de tantos males que recebeu”, anónimo, citado no livro “Desde La Adversidad”, de Santiago Álvarez de Mon.

3. A força da vontade
A maior parte das empresas estão sobrecarregadas de planos, de regras, de comissões, de hierarquias, de sistemas de procedimentos e controlos que constrangem o talento. Estão carentes de intensidade, paixão, entusiasmo, imaginação. Quando as coisas correm menos bem aumentam a dose de ferramentas organizacionais, que têm a sua utilidade, mas não substituem a necessidade da liderança.

O investimento em novos métodos de trabalho e novas ferramentas por vezes perde-se devido a uma radical carência de interesse e motivação das pessoas, esbarrando na apatia. o excesso de lógica, análise e planificação não acrescenta nada, pelo contrário. Somente a vontade de atingir uma visão conjunta, que tem significado para os recetores pode energizar uma organização. Quando algo faz sentido, quando a minha função é relevante, quando tenho espaço vital para crescer, é mais fácil a curiosidade e a paixão pelo trabalho e pela ação instalarem-se na cultura corporativa.

Neste contexto, os planos de carreira, planos de formação, avaliação de 360 graus, coaching e programas de formação são importantes apoios, mas ficam aquém do que é necessário, se não estiverem suportados por lideranças eficazes. Se oferecer aos colaboradores uma causa nobre e atraente ficará surpreendido com a resposta. Para isso é preciso conhecer a realidade dos que o rodeiam, compreendê-los, desafiar o status quo, inovar, ousar ser diferente, confiar no talento, permitir o erro, aprender e celebrar em conjunto, construindo equipas altamente motivadas.

4. A liderança começa no autoconhecimento
O início do processo é o autoconhecimento. Na nova era do conhecimento, serão as habilidades individuais que farão a diferença, e não somente o brilhantismo da alta direção da empresa. Neste contexto, o primeiro passo para a formação e o desenvolvimento de lideranças é o autoconhecimento, a identificação de deficiências e de pontos fortes. Este é um campo no qual todos, sem exceção, podemos trabalhar. Na realidade, todo o processo de desenvolvimento de competências – algo tão difundido atualmente – deve estar centrado, como ponto de partida principal, no conhecimento próprio.

Mas o momento-chave da liderança é a ação, atuando primeiro sobre si próprio, mudando-se antes de mudar os outros. A liderança tem a ver com a capacidade de cada um de nós de sermos melhores, e não apenas com uma característica inata. Essa liderança, não nasce connosco, não se estuda. Pratica-se e aprende-se nas atividades do dia a dia. Não resulta de um grande “bang”. Vivendo, trabalhando, vamos nos aproximando ou afastando dela gradualmente.

De outsourcing para insourcing noutro país

grupo sovena

Esta empresa, garantia não só a capacidade de vendas e logística mas também o conhecimento da distribuição local. Em 2016, a Sovena, uma das maiores companhias de azeite a nível mundial, decide apostar na sua presença neste país de forma direta, ou seja, teria de passar do outsourcing para o insourcing. O Brasil, apesar da proximidade histórica e afetiva com Portugal, e da partilha do idioma, tem inúmeras restrições legais e regulatórias de protecionismo que constrangem a entrada no mercado. A auxiliou na redefinição do processo de negócio (com enfoque nas vendas, no atendimento ao cliente e logística), tendo em consideração as restrições, bem como os requisitos de TI, a fim de auxiliar a montar a operação no país da América do Sul.

Implementação

Esta parceria resultou na implementação bem-sucedida da equipa e das operações do grupo no Brasil, com uma redução de custos associada (por comparação com o cenário anterior – outsourcing a uma grande distribuidora internacional) e a consequente harmonização dos processos de negócio e soluções de TI, o que permitiu à companhia portuguesa concentrar-se na expansão no mercado brasileiro.

REFER – Medir para gerir melhor

refer medir para gerir

Definir as atividades reguladas

A regulação é fundamental para estabelecer o equilíbrio de mercado entre o gestor da infraestrutura e os operadores, e entre clientes e utilizadores do serviço, e estabelecer os incentivos certos à eficiência global do sistema.

À semelhança de outros setores tradicionalmente públicos, com infraestruturas pesadas e muito capital intensivo, o setor dos transportes tem vindo a ser mais regulamentado, aberto à concorrência de privados e assistido ao unbundling dos incumbentes tradicionais, com vista ao aumento da sua eficiência, níveis de serviço ao cliente e rentabilidade.
Em todos estes setores é necessário definir as atividades reguladas, ou seja, aquelas que dizem respeito estritamente à prestação do serviço, separando-as de outras atividades que as empresas (normalmente operadores incumbentes) vão começando a prestar à medida do seu desenvolvimento.

A regulação é fundamental para estabelecer o equilíbrio de mercado entre o gestor da infraestrutura e os operadores e entre clientes e utilizadores do serviço e estabelecer os incentivos certos à eficiência global do sistema.

No caso ferroviário, o Decreto Lei nº 270/2003, que transpõe o denominado Pacote Ferroviário I, para o Direito Nacional, apresenta uma intenção clara sobre a necessidade de definir as condições de prestação dos serviços de transporte ferroviário por caminho de ferro e de gestão da infraestrutura ferroviária. Esta definição foi realizada com o Regulamento nº 21/2005 do Instituto Nacional do Transporte Ferroviário, que tem por objeto estabelecer:

  • Métodos e regras de cálculo na fixação, determinação e cobrança das tarifas devidas pela utilização da infraestrutura ferroviária;
  • Regime das “Contas de regulação”, ou seja, das demonstrações financeiras que o gestor de infraestrutura deve apresentar relativamente às atividades reguladas, ou, diretamente ligadas à gestão da infraestrutura;
  • Regime de melhoria do desempenho, ou seja, o regime de compensações/ penalizações entre o gestor da infraestrutura/ operador pelo desempenho da infraestrutura e seu impacto na atividade do(s) operador(es) ferroviário(s).

Medir para gerir melhor

Perante este novo cenário, a REFER atuou decisivamente, motivada pela melhoria do sistema de medição de performance das suas atividades, através do desenvolvimento de alguns instrumentos de gestão:

  • Adequação do sistema de custeio da empresa, baseando-o numa filosofia de Activity Based Costing (ABC, em português Custeio Baseado na Atividade), que permite recolher informação de gestão mais fiável para a tomada de decisão. Ao contrário dos sistemas tradicionais de imputação de custos, o ABC consiste na absorção de recursos pelas atividades;
  • Definição do modelo de contas de regulação a apresentar pela empresa ao Regulador. Esta abordagem é fundamental para o setor pois permite à REFER separar as suas atividades “puras” de gestão da infraestrutura ferroviária, fundamentais para a prestação de serviço público de transportes, das restantes atividades “comerciais” da empresa;
  • Implementação de um modelo de indicadores para a gestão das atividades de manutenção e conservação que permite uma melhor aferição do desempenho desta função e do seu impacto no desempenho da infraestrutura e no desempenho do operador.

Estas três ferramentas constituem um tripé fundamental para, em termos internos, alavancar a capacidade de gestão e da tomada de decisão da REFER e, em termos externos, aumentar a transparência do relacionamento com o operador que assim passa a estar baseada em evidências e em indicadores de gestão com elevado grau de fiabilidade.
A sua implementação tem implicações em termos de três níveis da organização, nomeadamente:

  • Estratégicos, pois a implementação destas metodologias implica uma nova forma de relacionamento entre a REFER e os seus clientes, os operadores de transporte ferroviário, com implicações no macro financiamento do setor e nos incentivos à eficiência das empresas;
  • Organizacionais, dado que é necessário que a organização se adeque de forma a responder às necessidades de informação que este tipo de modelos implica.
    A obtenção de informação de gestão de qualidade acarreta algumas necessidades em termos do seu carregamento, tratamento e análise;
  • Sistemas de Informação, visto ter sido sempre objetivo da REFER automatizar todos os processos e procedimentos inerentes à elaboração dos outputs destas ferramentas. Desta forma, torna-se necessário encaixar estes novos desafios estratégicos e organizacionais numa estratégia e arquitetura de sistemas de informação da empresa.
  • Sistemas de Informação, visto ter sido sempre objetivo da REFER automatizar todos os processos e procedimentos inerentes à elaboração dos outputs destas ferramentas. Desta forma, torna-se necessário encaixar estes novos desafios estratégicos e organizacionais numa estratégia e arquitetura de sistemas de informação da empresa.

A atividade da REFER

A Rede Ferroviária Nacional – REFER, EP foi criada pelo Decreto-Lei n° 104/97 de 29 de Abril, através do qual se procedia à separação das atividades de gestão da infraestrutura e operação ferroviária, ficando incumbida da gestão da infraestrutura integrante da Rede Ferroviária Nacional de acordo com os princípios de modernização e eficácia, de modo a assegurar o regular e contínuo fornecimento do serviço público.
A criação da REFER, EP, resulta da adequação do transporte ferroviário às exigências de competitividade e desenvolvimento, de forma a aumentar a sua eficácia, e que foram explicitadas pela União Europeia em três pilares fundamentais:

  • A independência da gestão das empresas de transporte ferroviário;
  • A separação entre a gestão da infraestrutura ferroviária e a exploração dos serviços de transporte ferroviário;
  • O saneamento da estrutura financeira das empresas de transporte ferroviário.

 

O FUNAE leva eletricidade a todos os moçambicanos

funae eletricidade

Criar um ecossistema

O desafio que se coloca é, no entanto, maior do que apenas investir na instalação de fontes de energia alternativa. O verdadeiro desafio consiste em aculturar as populações, criar um ecossistema que assegure a manutenção e operacionalidade dos sistemas instalados e, ao mesmo tempo, garantir a sustentabilidade deste esforço.

O desafio da manutenção e operação dos sistemas fotovoltaicos em Moçambique

O processo de desenvolvimento económico de Moçambique é uma prioridade de topo na agenda política do país. Esta tem sido fortemente alavancada pelas recentes descobertas de recursos naturais, nomeadamente o carvão e o gás.

De entre os vários setores económicos, o energético reveste-se de uma importância estratégica nesta dinâmica de desenvolvimento.

Embora tenha vindo a aumentar nos últimos anos, o acesso à energia elétrica ainda não é generalizado, existindo ainda zonas rurais que não têm acesso a energia elétrica.

Para minimizar este efeito, foi criado em 1997 o FUNAE, o Fundo de Energia que tem por objetivo o desenvolvimento, a produção e o aproveitamento de diversas formas de energia a baixo custo, tendo em vista o abastecimento das zonas rurais e das populações carenciadas.

Na prossecução da sua missão e estratégia de promoção das energias renováveis nas zonas rurais, o FUNAE realizou, em todo o País, mais de 500 projetos de instalação de sistemas fotovoltaicos em stand-alone (300W, 600W, 1.200W e 1.500W) e sistemas centralizados (4.000W), que permitem o acesso à energia elétrica por diversos tipos de utilizadores, como por lojas, por escolas, pelos centros de saúde, pela polícia, entre outros.

Para assegurar a sustentabilidade do sistema, o FUNAE tem adotado vários modelos de operação e de manutenção dos sistemas instalados. Contudo, estes modelos têm-se revelado insuficiente em termos de resposta, sobretudo devido à qualidade dos trabalhos realizados pelas empresas privadas de manutenção estarem aquém das expetativas, bem como devido às restrições financeiras que têm impedido uma efetiva operacionalização dos modelos de operação e de manutenção.

Um ecossistema de manutenção e operação como resposta

Neste âmbito, o FUNAE estabeleceu como prioridade a definição de uma estratégia de manutenção e de operação dos sistemas fotovoltaicos instalados, tendo em vista garantir a sustentabilidade da energia renovável através dos sistemas instalados.

Para tal adotou uma abordagem multidimensional, onde a componente técnica (diretamente relacionada com os aspetos de manutenção dos sistemas) é importante, mas onde o que realmente faz a diferença é a capacidade dessas estratégias criarem um verdadeiro ecossistema de suporte à operação e manutenção dos sistemas instalados e que garanta a necessária sustentabilidade.

Como suporte ao desenho da estratégia, foram definidas seis dimensões principais, consideradas como fatores críticos de sucesso à criação do referido ecossistema, nomeadamente:

  1. Comunidade de utilizadores;
  2. Prestadores de serviços;
  3. Manutenção dos sistemas;
  4. Modelo de governo (papel dos vários stakeholders);
  5. Acompanhamento e monitorização;
  6. Modelo de financiamento.

A estratégia definida respondeu diretamente às dimensões identificadas para o desenho do ecossistema, tendo-se materializado em soluções práticas e pragmáticas, como por exemplo na:

  • Formação aos utilizadores dos sistemas fotovoltaicos sobre melhores práticas de utilização dos equipamentos e ações preventivas a tomar (um dos problemas identificado estava relacionado com a sua desadequada utilização);
  • Dinamização dos negócios locais, incluindo:
  1.  Venda à consignação de consumíveis nos estabelecimentos locais (p.e. lâmpadas, água destilada – críticas para a manutenção dos painéis);
  2. Serviços de manutenção.
  3. Realocação dos sistemas que se tornam insustentáveis devido ao não pagamento por parte dos utilizadores;
  4. Criação de kits de manutenção preventiva;
  5. Adoção de novos processos, p.e. para a obtenção de água destilada.

Equilíbrio entre valor acionista e responsabilidade social

caso enacol

Teoria de Darwin

Quando se fala de gestão de empresas do setor petrolífero é comum responder à pergunta: “qual o negócio mais lucrativo do mundo?”, com a seguinte resposta: “uma empresa petrolífera bem gerida”. Da mesma forma, pergunta-se: “qual o segundo negócio mais lucrativo do mundo?”, à qual comummente se ouve como resposta: “uma empresa petrolífera mal gerida”.

Este sentimento de que, independentemente do caminho estratégico, do rigor da gestão e do desempenho dos recursos humanos, uma empresa do setor petrolífero será sempre rentável, passou, efetivamente à história. Como em qualquer setor de mercado prevalece a teoria de Darwin, em que só sobreviverão os mais capazes de se adaptar à mudança.

Afastar da imagem de golden mine

A ENACOL – Empresa Nacional de Combustíveis de Cabo Verde tem vindo a percorrer um caminho no sentido de se afastar da imagem de golden mine, quer perante a sociedade cabo-verdiana, quer perante os seus próprios colaboradores.

Inserida num contexto histórico de empresa nacional, a ENACOL enveredou por um processo de abertura de capital aos privados. Atualmente tem cerca de 200 colaboradores, um volume de negócios de cerca de M€ 48 e uma presença em todas as ilhas do arquipélago de Cabo Verde. Gere 5 parques de armazenamento (primário e secundário) e 24 postos de abastecimento e tem procurado adaptar-se, com sucesso, à dinâmica do mercado, desmistificando a sua imagem de “galinha dos ovos de ouro”.

O bom trabalho que tem vindo a ser desenvolvido nos últimos anos traduz-se no crescimento sustentado do negócio, quer em termos de volume, com uma taxa de crescimento de 32% em 2005 e 15% estimado para 2006, quer no que concerne à penetração dos seus produtos principais, nomeadamente, o JET A1, o Fuel e o Gasóleo.

Abordagem sólida e sustentada

Este sucesso resulta de uma abordagem sólida e sustentada, assente numa estratégia claramente definida e cumprida com rigor, que incorpora os desafios de desenvolvimento do negócio, influenciados pelo contexto interno e pela dinâmica internacional a que está sujeito, mas privilegia, sobretudo, a importância da empresa na economia do País e o seu contributo social.
A continuação deste caminho de sucesso não é um dado adquirido e só será possível manter se se caminhar no sentido de:
aumento da capacidade de resposta às necessidades dos clientes, em termos de qualidade do serviço prestado e inovação ao nível dos produtos fornecidos e;
otimização da remuneração dos capitais dos seus acionistas conforme estabelecido no respetivo plano estratégico da empresa.
Estas prioridades de atuação implicam o desenvolvimento de novas competências e uma revitalização do modelo de funcionamento interno, numa lógica de:

  1.  aumento da capacidade de resposta;
  2.  incremento da eficiência interna;
  3. valorização dos seus quadros-chave.

Três linhas de atuação

Esta necessidade levou a ENACOL a estabelecer três linhas de atuação estruturantes:

  • A adaptação do modelo organizacional aos novos desafios e objetivos estratégicos, tornando-o mais flexível e eficaz de forma a ser mais competitivo nas diversas atividades da cadeia de valor, nomeadamente nas atividades que têm resultado num maior crescimento e envolvimento de recursos;
  • A readequação da sua estrutura de recursos humanos em termos de atividades realizadas, de competências necessárias, de forma a garantir a sua rentabilidade e sustentabilidade, bem como o desenvolvimento contínuo das suas competências (analisando as atuais e identificando gaps face às prioridades do negócio);
  • O incremento da orientação para a gestão por objetivos, desenvolvendo práticas de monitorização e controlo da atividade e do cumprimento dos objetivos definidos.

A componente conceptual deste trabalho e a definição das respetivas soluções está já concluída. No entanto, em termos de implementação, estão agora a ser dados os primeiros passos, pelo que os impactos reais decorrentes da implementação das soluções propostas não são ainda tangíveis.

Dinâmica de mudança

No entanto, este trabalho permitiu à ENACOL criar uma dinâmica de mudança associada à sua atividade, quer no que concerne à mensagem transmitida para os acionistas e sociedade em geral, quer para os próprios colaboradores.

Adicionalmente, permitiu uma reflexão relativamente ao seu papel social e à sua contribuição para a minimização das debilidades económicas estruturais de Cabo Verde, nomeadamente o empreendedorismo. Está já em curso uma iniciativa tendo em vista a criação de uma entidade responsável pelo estímulo ao empreendedorismo, alavancada por uma rede de contactos e parcerias que permitam o lançamento de novos negócios por parte dos atuais colaboradores da empresa, estimulando a sua autonomia e potenciando as suas mais-valias técnicas.

Este tipo de iniciativas são diferenciadoras e apresentam um elevado potencial, sobretudo quando realizadas num contexto económico difícil como é o de Cabo Verde. São iniciativas que contribuem para a criação de modelos de negócio autónomos, que estimulam a competitividade interna e se materializam em resultados positivos para a economia do País e para a qualificação dos seus recursos.

Para Andreia Marques, Senior Consultant no escritório de Lisboa, o caso da ENACOL “ilustra como uma análise rigorosa das competências organizacionais e individuais permite conciliar melhor o esforço pelo incremento do valor acionista com uma responsabilidade social acrescida”.

Política de privacidade

A presente Política de Privacidade descreve como tratamos os seus dados pessoais e como pode exercer os seus direitos enquanto titular de dados pessoais tratados pela LBC.

No âmbito das suas atividades, a LBC é a entidade responsável pela recolha e tratamento de dados pessoais, os quais são processados e armazenados de forma automatizada e não automatizada.

1. Compromisso LBC

A Leadership Business Consulting, Consultoria e Serviços, S. A. “, Matricula e NIPC Único 505 355 108, matriculada na Conservatória do Registo Comercial do Porto, anteriormente matriculada sob o n.º 11.505, na 2.ª Secção, da Conservatória do Registo Comercial de Lisboa, com o capital social de € 240.000,00 (duzentos e quarenta mil euros), sede na Rua Gonçalo Cristóvão, n.º 185, Rés do Chão, 4049-012 Porto e estabelecimento na Rua General Firmino Miguel, Torre 2–3º–3B, 1600-100 Lisboa (doravante LBC), no contexto do seu objeto de negócio, procede ao tratamento de dados pessoais, pretendendo assegurar com rigor, eficácia e segurança a proteção de todos os dados que diariamente recolhe e trata.

Este tratamento de dados é único e está integrado com as suas subsidiárias e os seus programas:

  • Portal da Liderança (www.portaldalideranca.pt)
  • Best Leader Awards (www.bestleaderawards.com)
  • Global Strategic Innovation (www.globalstrategicinnovation.com)

A LBC assume o compromisso de:

  • Proceder ao tratamento dos seus dados pessoais de forma lícita e leal, recolhendo apenas a informação necessária e pertinente à finalidade a que se destina;

  • Permitir-lhe a si, enquanto titular de dados, o acesso e correção das informações que lhe dizem respeito, transmitindo-as em linguagem clara e rigorosamente correspondentes ao conteúdo do registo;

  • Não utilizar os dados recolhidos para finalidade incompatível com a da recolha;

  • Manter os dados exatos e, se necessário, atuais;

  • Assegurar o consentimento do titular dos dados nos termos da legislação em vigor;

  • Garantir o direito de eliminação dos dados nos termos da legislação em vigor;

  • Respeitar o sigilo profissional em relação aos dados tratados;

  • Limitar interconexões de dados pessoais ao mínimo indispensável;

  • Ter implementadas as medidas de proteção e segurança adequadas, que impeçam a consulta, modificação, destruição ou adição dos dados por pessoa não autorizada a fazê-lo

2. O tratamento de dados e o encarregado de proteção de dados

Nos termos do Regulamento Geral de Proteção de Dados (Lei n.º 58/2019 de 8 de agosto), a LBC não tem um Encarregado de Proteção de Dados (ou Data Protection Officer) nomeado. Não obstante, com o objetivo de facilitar o contacto dos titulares de dados pessoais com a LBC ou qualquer das suas subsidiárias, criámos um email para onde poderão ser enviadas todas as mensagens relacionadas com assuntos que se enquadrem no âmbito da nossa política de privacidade e do Regulamento Geral de Proteção de Dados em específico: privacy@lbc-global.com. A LBC dará resposta adequada a todas as questões que nos cheguem no âmbito desta matéria.

Asseguramos, entre outros aspetos, os tratamentos de dados em conformidade com a legislação em vigor, procedendo à verificação do cumprimento desta Política de Privacidade. 

3. Dados Pessoais, titulares de dados pessoais e categorias de dados pessoais

O que são dados pessoais?

Dados pessoais são todas as informações de qualquer natureza, recolhidas em qualquer tipo de suporte, relativas a uma pessoa singular, identificada ou identificável. Considera-se identificável o conjunto de informações que podem levar à identificação de uma determinada pessoa, nomeadamente por referência a um identificador (como por exemplo um número de identificação ou um dado de localização).

De quem recolhemos dados pessoais?

Em face do objeto de negócio da LBC, na sua maioria, são tratados dados de pessoas individuais e coletivas (empresas e associações). Não obstante, para execução das suas atribuições, podem ser recolhidos e tratados dados dos seguintes tipos de pessoas singulares (elenco não exaustivo):

  • Clientes/investidores e respetivos colaboradores
  • Prestadores de serviço e respetivos colaboradores;
  • Colaboradores de qualquer das empresas do universo LBC
  • Candidatos e estagiários;
  • Processos de recrutamento;
  • Potenciais clientes;
  • Candidatos e clientes de programas promovidos pela LBC, como o Global Strategic Innovation e o Best Leader Awards;
  • Participantes em eventos promovidos pela LBC;
  • Subscritores das newsletters desenvolvidas pela LBC, ou por qualquer das suas subsidiárias e programas de desenvolvimento;
  • Visitantes das instalações LBC.

 

Que dados pessoais tratamos e como os recolhemos?

A LBC apenas recolhe dados que se mostrem adequados, pertinentes e limitados ao que é necessário relativamente às finalidades para os quais são tratados.

A recolha dos seus dados pode ser feita oralmente, por escrito (nomeadamente através de formulários e contratos), bem como através do website LBC. Regra geral, recolhemos diretamente os seus dados, no âmbito de projeto junto de clientes ou de interações comerciais, podendo igualmente ser recolhidos dados pessoais através de fontes públicas (como sites de internet e listas públicas oficiais).

Para execução das diferentes finalidades, poderemos recolher os seguintes tipos de dados pessoais:

  • dados de identificação (como o nome, naturalidade, cartão do cidadão ou data de nascimento)
  • dados de contacto (como o telemóvel, morada ou e-mail);
  • dados de habilitação e situação profissional (como nível de escolaridade e CV)
  • dados relativos a funções ou cargos ocupados
  • dados bancários ou financeiros em caso de transações económicas (como IBAN ou número de identificação fiscal)
  • dados de localização (como endereço de IP)
  • imagens de gravação de eventos ou de videoconferências

Em regra, a LBC não recolhe dados especiais, como dados de saúde ou dados referentes a contraordenações ou ilícitos criminais.

 

4. Fundamentos e Finalidades do Tratamento de Dados Pessoais

Porquê e com que fundamento utilizamos os seus dados pessoais?

Todos os dados recolhidos e tratados pela LBC têm por fundamento uma das seguintes condições de legitimidade

O consentimento: Quando a recolha é precedida do seu consentimento expresso, específico e informado, através de suporte escrito ou via web. Recolhemos o seu consentimento, por exemplo, para finalidades relacionadas com a inscrição nas atividades e iniciativas da LBC e suas subsidiárias, , para a subscrição de newsletters ou para a inscrição em ações promovidas pela LBC.

Para execução de relações profissionais e comerciais, como atividade de projeto e de programas de formação e outros.

A execução de contrato ou diligências pré-contratuais: quando o tratamento é necessário para a execução de um contrato no qual é parte ou para diligências pré-contratuais. 
Esta condição estará preenchida quando tratamos os seus dados para efeitos de gestão de programas e protocolos de financiamento e de cooperação ou de contratos de fornecimento e prestação de serviços.

O cumprimento de obrigações legais: quando o tratamento é necessário para o cumprimento de uma obrigação jurídica. Aqui se inclui, por exemplo, a comunicação de dados junto de organismos públicos (nacionais e comunitários), fiscais ou judiciais.

O interesse público: quando o tratamento é necessário para o exercício de funções de interesse público.

O interesse legítimo: quando o tratamento se mostra necessário para a prossecução de interesses legítimos da entidade responsável pelo tratamento ou de terceiros, sem prejudicar os direitos e as liberdades dos seus clientes e/ou utilizadores. Aqui se incluem todos os tratamentos que resultam de atribuições conferidas por lei, nomeadamente a divulgação comercial junto dos representantes das empresas clientes ou parceiras da LBC ou de qualquer das suas subsidiárias ou ainda o tratamento de dados para melhoria de qualidade de serviço e quando os nossos motivos para a sua utilização devem prevalecer sobre os direitos de proteção de dados.

Quais as finalidades para as quais recolhemos os seus dados?

Os dados pessoais recolhidos pela LBC apenas são processados para fins específicos, explícitos e legítimos. Sempre que sejam recolhidos dados pessoais, os mesmos destinam-se exclusivamente às finalidades expressamente identificadas aquando da recolha. Elencamos aqui as principais finalidades que justificam a recolha de dados pessoais pela LBC

  • Contratualização e gestão de projetos com clientes;
  • Recrutamento;
  • Gestão de eventos, programas e ofertas promovidos pela LBC;
  • Contratualização de contratos de fornecimento e de prestação de serviços;
  • Divulgação de newsletters / publicações;
  • Ofertas e experiências melhoradas;
  • Segurança Física das Instalações e Pessoas.

5. Período de conservação de dados pessoais

A LBC trata e conserva os seus dados apenas durante o período que se mostre necessário à prossecução ou conclusão das finalidades do tratamento a que se destinam, em respeito pelos prazos máximos necessários para cumprir com obrigações contratuais, legais ou regulamentares.

Regra geral, e quando exista um contrato que legitime o tratamento dos seus dados, a LBC irá manter tais dados enquanto se mantiver tal relação contratual. Outras circunstâncias existem, como o cumprimento de obrigações legais ou regulamentares (por exemplo, para efeitos de cumprimento de obrigações fiscais, os dados pessoais relativos a faturação devem ser conservados pelo prazo máximo de dez anos a contar da prática do ato), bem como a pendência de um processo judicial, que podem legitimar que os seus dados sejam conservados por período de tempo superior. Findo o período de conservação, a LBC procederá à eliminação dos referidos dados.

Regularmente, a cada 5 anos, a LBC contactará os titulares dos dados pessoais para renovar o seu consentimento ou, se for essa a sua preferência, excluí-los das nossas bases de dados. Contudo, caso pretenda alterar as suas preferências, poderá fazê-lo em qualquer momento, enviando um email para privacy@lbc-global.com.

6. Direitos dos titulares dos dados

Nos termos da legislação em vigor, a partir do momento em que recolhemos e tratamos os seus dados, existe um conjunto de direitos que, a qualquer momento, poderá exercer junto da LBC.

Quais os seus direitos?

Direito de acesso: direito que lhe permite obter informação relativamente ao tratamento dos seus dados e respetivas características (nomeadamente o tipo de dados, a finalidade do tratamento, a quem podem ser comunicados os seus dados, prazos de conservação e quais os dados que tem de fornecer obrigatória ou facultativamente).

Direito de retificação: direito que lhe permite solicitar a retificação dos seus dados, exigindo que estes sejam exatos e atuais, como por exemplo, quando considere que os mesmos estão incompletos ou desatualizados.

Direito à eliminação dos dados ou “Direito a ser esquecido”: direito que lhe permite solicitar a eliminação dos seus dados, quando considere que não existem fundamentos válidos para a conservação dos dados e desde que não exista outro fundamento válido que legitime tal tratamento (como a execução de um contrato ou o cumprimento de uma obrigação legal ou regulamentar).

Direito à limitação: direito que lhe permite a suspensão do tratamento ou a limitação do tratamento a certas categorias de dados ou finalidades.

Direito à portabilidade: direito através do qual poderá solicitar o envio dos seus dados, em formato digital e de uso corrente, que permita a reutilização de tais dados. Em alternativa, poderá solicitar a transmissão dos seus dados para outra entidade que passe a ser responsável pelo tratamento dos seus dados.

Direito de oposição: direito que lhe permite opor-se a determinadas finalidades e desde que não se verifiquem interesses legítimos que prevaleçam sobre os seus interesses. Um dos exemplos deste direito respeita à oposição a finalidades de comercialização direta (marketing).

Direito de Retirar o Consentimento: direito que lhe permite retirar o seu consentimento, mas que apenas pode ser exercido quando o seu consentimento seja a única condição de legitimidade.

Como pode exercer os seus direitos?

Todos os direitos supra descritos poderão ser exercidos, com as limitações previstas na legislação aplicável, mediante pedido por escrito, a ser remetido através do e-mail privacy@lbc-global.com.

7. Transmissão de dados

Com quem partilhamos os seus dados pessoais?

Atendendo às atribuições da LBC, e dependendo da respetiva finalidade, os seus dados poderão ser partilhados junto de entidades terceiras, nas quais se incluem organismos públicos nacionais e internacionais e entidades privadas para efeitos de cumprimento de obrigações legais ou regulamentares, contratuais ou funções de interesse público. 
Poderão ainda os seus dados ser acedidos por prestadores de serviços da LBC, tidos como necessários para a execução das finalidades supra descritas, nomeadamente no que respeita a serviços de segurança de informação e de arquivo. A LBC garante que recorre apenas a prestadores de serviços que apresentem as garantias de execução de medidas técnicas e organizativas necessárias e adequadas a proteger os seus dados pessoais.

A LBC não comercializa dados de pessoas singulares ou coletivas.

Transferências de dados pessoais para fora do EEE

Uma vez que opera em diferentes geografias, a LBC poderá, excecionalmente, transferir os seus dados pessoais para países terceiros (fora da EEE – Espaço Económico Europeu).

Nesses casos, a LBC assegurará que as transferências de dados se realizam no estrito cumprimento das normas legais aplicáveis.

8. Política de Cookies

O que são cookies:

Cookies são pequenos ficheiros de texto com informação relevante que é descarregada pelo seu dispositivo de acesso (computador, telemóvel/smartphone ou tablet), através do navegador de internet (browser), quando um site é visitado pelo utilizador, sendo utilizados para armazenar informações sobre as visitas dos utilizadores.

Os cookies, dependendo de quanto tempo o utilizador permanece na página, podem ser classificados como sessão ou cookies permanentes. O primeiro tipo de cookies expira quando o utilizador fecha o browser. O segundo tipo de cookies expira quando o seu objetivo foi concluído ou quando são desligados manualmente.

Os cookies usados pelos sites da LBC não recolhem informações pessoais que permitam identificar o utilizador.

Os cookies utilizados nos nossos sites são:

  • Analíticos – recolhem informação sobre a experiência de navegação dos utilizadores na página web, de forma anónima, embora por vezes também permitam que um utilizador seja identificado, única e inequivocamente para obter informações sobre os interesses do utilizador nos serviços prestados pela página web.
  • De publicidade – ativos de forma persistente mas por período limitado, com o fim de recolher informação do utilizador sobre hábitos de navegação na internet de modo a que a publicidade visualizada por aquele corresponda às suas necessidades e interesses.
  • De terceiros – permitem ao site recordar preferências de navegação, idioma, região e recolhem informação dos utilizadores para direcionar a publicidade para os seus interesses.

Os sites:

utilizam cookies para recolher informação estatística, de modo a analisar o funcionamento do site e a experiência de navegação dos utilizadores, e avaliar a eficácia de campanhas publicitárias e promocionais.

Desativar a utilização dos cookies

Todos os browsers permitem que o utilizador aceite, recuse ou apague os cookies através da seleção das configurações apropriadas no seu browser. Assim, os utilizadores podem desativar a qualquer momento a utilização dos cookies nos sites do universo LBC ao modificar as configurações do browser.

No entanto, é importante destacar que a desativação dos cookies pode impedir que alguns serviços da web funcionem corretamente, afetando, total ou parcialmente, a navegação.

9. Legislação

O tratamento de dados de carácter pessoal dos utilizadores e clientes realizados pela LBC, bem como o envio de comunicações comerciais realizadas por meios eletrónicos estão em conformidade com a legislação nacional e comunitária em vigor, nomeadamente pelo Regulamento Geral de Proteção de Dados.


A LBC reserva-se o direito de rever e alterar esta política periodicamente. A data da última modificação é indicada no final deste documento. Quaisquer alterações a esta política e à forma como utilizamos os dados pessoais do titular dos dados, implicará a publicação no nosso site de uma versão atualizada.


Última atualização: 08/11/2022